26 agosto 2008

Mestres no Ciberespaço

Mestres no Ciberespaço
Blogs ampliam o espaço educacional de professores e alunos com possibilidade de partilhar informações de forma criativa e prazerosa
Beatriz Levischi

O exercício de "blogar" - postar mensagens nessa espécie de diário pessoal cibernético - permite ao professor refletir sobre sua atividade, trocar idéias com os colegas, oferecer referências interessantes aos alunos, ampliar os encontros presenciais e tornar suas iniciativas mais visíveis e prazerosas.

Quem defende a idéia é a educadora Betina Von Staa, doutora em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC-SP e coordenadora da área pedagógica do Portal Educacional (www.educacional.com.br), do Grupo Positivo. "É possível, também, aproximá-los ainda mais dos meninos, por meio da descoberta de paixões em comum", completa.

No cotidiano escolar, os blogs - gratuitos e fáceis de usar - ganham variadas funções, como relatar trabalhos realizados em equipe, organizar conteúdos, reunir anotações de aula, discutir e elaborar projetos. "Por meio dos comentários, abre-se o diálogo entre educadores e educandos, que se revezam no papel de escritores, leitores e pensadores", conta Sônia Bertocchi, professora de língua portuguesa, com especialização em Literatura Brasileira.

Dona do Lousa Digital, blog destinado à formação de docentes, Sônia pesquisa desde 1997 maneiras de incorporar a internet à sua prática pedagógica. Garante que a vantagem é tornar o registro do processo mais completo, pois a ferramenta fornece espaço para publicar experiências, imagens e depoimentos, culminando numa espécie de "relatório detalhado de tudo". "Passamos, então, a construir saberes e redes sociais, a reinventar nossa atuação", diz.

As conquistas, segundo Betina, são várias. Os professores que se aventuram pela blogosfera sentem-se mais motivados e têm sua auto-estima elevada, pois se percebem capazes de criar algo novo. "Quando recebem mensagens de seus alunos, de outras escolas ou até mesmo de outros Estados, compreendem a verdadeira dimensão do seu trabalho. E dão aos estudantes a oportunidade de descobrir jeitos variados e produtivos de relacionar-se com o conhecimento, desenvolvendo um raciocínio mais complexo", relata.

Para detectar a influência das novas tecnologias na aprendizagem é necessário, por um lado, olhar as possibilidades que elas oferecem e, por outro, as habilidades que demandam do usuário para serem operadas. Mirna Feitoza, doutora em comunicação e semiótica e coordenadora do Grupo de Pesquisa Semiótica sobre a Linguagem dos Games, na PUC-SP, exemplifica: "Blogando, os jovens entram em contato, de forma autônoma, com ferramentas de publicação gratuitas; lidam com sistemas de busca para manter sua página atualizada; reinventam a própria linguagem verbal, burlando as regras estabelecidas; esforçam-se para usufruir os softwares de programação visual, incrementando uma ou outra coisa no design; capturam e manipulam imagens", resume.

O grande desafio está em equipar as escolas e formar os professores, evitando focar na parte estritamente técnica do processo: "As oficinas devem incentivá-los a navegar e a produzir seus próprios materiais. Os educadores que têm o melhor desempenho atuam de maneiras variadas, ao invés de optar apenas por aulas expositivas", justifica Betina.

Betina Von Staa, coordenadora do Portal Educacional: utilização de diversas estratégias enriquece o universo pedagógico do educador

Mas é preciso estar aberto para aprender com os próprios alunos e inverter uma relação de saber perpetuada há séculos. Afinal, muitas vezes, os jovens dominam o computador melhor do que os adultos. A "colaboração mútua", como define Claudemir Viana, doutor em Ciências da Comunicação, pode começar no laboratório de informática. "Depois, o professor passa a construir seu caminho exploratório e a planejar as situações que o auxiliem no processo educativo", sugere.

Integrar a tecnologia ao currículo de forma eficaz, tornando seu uso natural, por fim, mostra-se fundamental. "E por natural entende-se a possibilidade de ter acesso à máquina para consultas na hora em que surge a curiosidade, deixá-la fazer parte do dia-a-dia e não guardá-la para momentos especiais, do tipo 'agora vamos usar o computador'", defende Betina.

Professores blogueiros

No "Escrevendo com Escritor" (http://escrevendocomescritor.zip.net), Andréa Toledo, graduada em letras, com especialização em Informática na Educação, convida autores para iniciar uma história e propõe que os alunos da Biblioteca Digital Josué Inácio Peixoto, em Minas Gerais, a continuem.

Durante as postagens, as crianças interagem com o escritor, que fica responsável por finalizar o processo. A oportunidade de ver seus textos on-line, garante Andréa, incentiva a participação dos pequenos: "Atualmente, estão trabalhando com poesia, e a produção foi tanta que não consegui publicar".

Gládis dos Santos, especialista em língua portuguesa, atualiza o "Palavra Aberta" (http://palavraaberta.blogspot.com) desde 2005. Busca promover o intercâmbio entre estudantes de escolas geograficamente distantes por meio da divulgação de textos produzidos a partir de um tema comum, debatido em sala de aula. "É interessante notar a preocupação com os erros de acentuação e com a ortografia. Muitos chamam o professor para dar uma olhada antes de apertar o botão", diz.

Além das funcionalidades comuns a todos os blogs, o "Palavra Aberta" oferece recursos como a gravação de comentários em áudio (destinado aos alunos com deficiência visual) e a realização de videoconferências. A iniciativa ficou em 3° lugar no Prêmio Blopes (categoria "Melhor blog feito por um professor"), que elegeu trabalhos relevantes de Portugal, Espanha e Brasil.

Marli Fiorentin, formada também em letras, decidiu criar seu primeiro blog em 2004, após conhecer a ferramenta num Seminário de Tecnologia na Educação. "Busquei tirar dúvidas e discutir o uso pedagógico da tecnologia junto a outros educadores da internet, em fóruns e listas de discussão", lembra.

Blogs possibilitam que educadores e educandos se revezem no papel de escritores, leitores e pensadores, realça a professora Sônia Bertocchi

No "Ficção Versus Realidade" (http://ficrealidade.blogspot.com), destinado aos alunos da 8ª série, a professora aborda tópicos estudados na escola, por meio de obras literárias. "Os adolescentes comunicam-se com os autores e com jovens de outras instituições, analisam os textos publicados e ganham espaço para divulgar suas próprias produções", explica.

A mudança em relação às atividades presenciais está na exigência de uma reflexão mais apurada, demandada pelo ato de escrever. "Quem não sabe se expressar pode gerar mal-entendido, já que o leitor não está presente para questionar", justifica. Aprender a aceitar as diferenças nos assuntos que provocam polêmica é outro desafio oferecido pelo blog. Ao longo da jornada, Marli ganhou uma infinidade de colegas virtuais, com os quais trabalha em rede, utilizando estratégias comuns.

Caminhos próprios

No Educacional (www.educacional.com.br), do Grupo Positivo, estimula-se que cada internauta descubra uma maneira pedagógica própria de usar o Blog do Professor, ferramenta que permite criar um espaço na Rede com título e apresentação (tanto do autor, quanto do blog), posts, contador de visitas e links interessantes.

"A idéia surgiu em 2004, após a experiência bem-sucedida do Construtor de Páginas, em que era possível montar sites com a assinatura automática do Portal, mas o projeto vingou no segundo semestre de 2005", conta Betina von Staa, coordenadora da área pedagógica. Quem navegar pelos inúmeros blogs publicados encontrará simulados, trabalhos a serem comentados e sugestões de links para pesquisa, misturados a fotos da turma, poesias, letras de música e notícias da atualidade.

Maria Izabel Schonardie, professora de geografia da Escola São João, no Rio Grande do Sul, dá preferência às novidades e curiosidades da área. "Apesar de terem seus próprios blogs, os alunos adoram, porque aqui as informações são direcionadas à disciplina. Quando menciono a história de uma data comemorativa, por exemplo, eles sempre querem saber mais", diz.

Para Flávio de Azevedo, professor de física e matemática do Colégio Isaac Newton, em Brasília, a ferramenta serve como complemento à aula presencial: "Minha primeira postagem foi o gabarito de uma prova, e o número de acessos surpreendeu". Os preferidos são os desafios com direito a prêmios. "Quem não tem acesso à internet em casa recebe a proposta numa folha de papel, mas sai reclamando", confessa.

A maior vantagem, para Maria Izabel, está em renovar continuamente sua formação: "Receber um número expressivo de comentários de outros profissionais da área enobrece meu trabalho e mostra que estou no caminho certo".

Para Flávio, apesar de toda novidade apresentar certa dificuldade inicial, um pouco de boa vontade e ajuda coletiva tratam logo de resolver o problema. "Agora, eu posso estender minha aula ao computador dos meninos. Quando falo sobre determinado assunto, digo para darem uma olhadinha no blog, que deixarei um texto, vídeo ou link, e no próximo encontro eles comentam".


O QUE É BLOG

Os blogs são um dos maiores e mais velozes fenômenos comunicacionais da área digital. Em menos de dois anos e meio - de outubro de 2004 a janeiro de 2007 - saltaram de 4 milhões de páginas ativas para 63 milhões. A aceleração da criação dos novos diários também foi grande: de 12 mil novas páginas por dia em outubro de 2004 a 63 milhões em janeiro deste ano.

Blog é a abreviação de weblog, palavra criada em 1999 para designar qualquer registro freqüente de informações na Web, apresentado em ordem cronológica decrescente - assim, no topo da lista aparece a mensagem (post) mais recente e abaixo dela vêm as anteriores.

Na época, a tradução do termo como "diário na internet" bastava para explicar sua natureza. De lá para cá, porém, eles deixaram de restringir-se a relatos de adolescentes sobre suas idas ao cinema, coletâneas de poesias e idéias de como dominar o mundo, para abrigar temas e gêneros discursivos variados.

Há blogs que são resultado da colaboração de um grupo de pessoas. Outros se voltam para o entretenimento. Vários internautas utilizam a ferramenta com objetivos profissionais. Jornais e colunistas famosos apostam neste formato, que tem constantemente dado furos na grande imprensa. Grandes corporações já aderiram à blogosfera, utilizando-a como ferramenta de relacionamento com clientes e funcionários.

A linguagem é coloquial, e os posts são breves. Há intertextualidade (ligações para outras páginas) e espaço para comentários dos leitores. Cabem, ainda, fotografias, vídeos e arquivos de áudio. Um dos principais desafios para atrair e manter visitantes é a atualização freqüente.

Por meio de softwares de edição on-line, é possível publicar conteúdo sem saber como são construídas as páginas na internet, ou seja, sem conhecimento técnico especializado - se ele existir, porém, o blog pode ser incrementado, ganhando design exclusivo. Fonte: Revista Educação.

06 outubro 2007

O QUE É RESPONSABILIDADE SOCIAL MESMO?

É atuação baseada em princípios éticos e na busca de qualidade nas relações e uma exigência comportamental cada vez mais presente que traz como conseqüência a adoção de padrões de conduta ética que valorizem o ser humano, a sociedade e o meio ambiente.

Essa relação de qualidade se constroe a partir de valores e condutas capazes de satisfazer necessidades e interesses individuais e dos parceiros, gerando valor para todos.

Por isso, responsabilidade Social é mais que um conceito é um convite à transformação. Surgiu de uma necessidade de humanizar as relações, promovendo um novo aprender a cuidar uns dos outros e do ambiente compartilhado em que vivemos.

É um convite ao direcionamento para questões muitas vezes esquecidas na correria do dia-a-dia como por exemplo a ética, solidariedade e generosidade, pois é preciso de todos esses valores para a harmonia entre os seres e paz interior.

DIPOSIÇÃO PARA MUDANÇAS

Adotar posturas socialmente responsável exige perseverança, disciplina e disposição para mudanças. Aqueles velhos hábitos que servem em determinados momentos da vida de uma pessoa, já não são tão úteis em uma fase mais amadurecida. Por isso a necessidade de se reconhecer a mudança para que se possa implemantá-la.

Exemplo: os hábitos infantis que estimulam a mobilidade, reflexos, etc, devem ser deixados para trás em função de se adaptar a uma nova fase evolutiva. Assim, é importante sempre estar atentos aos hábitos e costumes que podem ser aprisionantes. Devem fazer parte da vida do indivíduo, mas este têm que estar abertos ao novo.

Enfim... é a valorização desse novo que trata a idéia de responsabilidade social. A preocupação com o nosso próximo, com o meio ambiente, com nossos familiares, colegas de trabalho, comunidade, etc. É chegado o tempo de desenvolvermos ações em prol "do todo", pois aprendemos que no final estamos todos ligados em rede, de alguma maneira.

13 abril 2007

Workshop Gestão Organizacional para Cultura Inclusiva

A Gestarh estará realizando em maio o wokshop "Gestão Organizacional para Cultura Inclusiva" que foi elaborado com o objetivo de sensibilizar e instrumentalizar pessoas e organizações para ações de responsabilidade social. Com o foco na diversidade e cultura inclusiva será trabalhado um novo sentido nas relações interpessoais que envolvem também questões sobre pessoas com deficiência.


04 abril 2007

Mudança de Mentalidade

Novo Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos busca mudar paradigma das relações de ensino e aprendizagem por meio da compreensão e do respeito à diversidade .

O debate sobre as desigualdades e as exclusões que caracterizam o Brasil e a necessidade de superá-las está na ordem do dia. Lançado no final de 2006, o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos é a aposta de que esse cenário possa modificar-se a partir de ações conjugadas. Resultado de três anos de trabalho do governo federal e de entidades da sociedade civil, o Plano é um documento norteador para a implementação de uma política pública no campo dos direitos humanos.
Organizado em cinco eixos, contém concepções, princípios, diretrizes e ações programáticas com o objetivo de difundir os direitos humanos nos âmbitos da educação básica, educação superior, educação não-formal, educação dos profissionais dos sistemas de justiça e segurança e, finalmente, educação e mídia. "Trata-se de uma iniciativa ampla, que envolve tanto a educação formal como a não-formal", comenta Aída Monteiro, coordenadora do Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos.
Apesar de relevante, sozinho o Plano pouco pode fazer para estimular o debate e, mais do que isso, incorporar a cultura de respeito aos direitos humanos ao cotidiano dos brasileiros. Por isso, está articulado a um conjunto de ações que têm o objetivo de colocá-lo em prática, num processo em que as escolas e os professores de educação básica desempenharão um papel central.
LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE
As três gerações dos Direitos Humanos
- PRIMEIRA GERAÇÃODireitos civis e políticos, compreendem as liberdades clássicas.Realçam o princípio da liberdade.
- SEGUNDA GERAÇÃODireitos econômicos, sociais e culturais.Dizem respeito às liberdades positivas, reais ou concretas.Acentuam o princípio da igualdade.
- TERCEIRA GERAÇÃODireito ao meio ambiente equilibrado, qualidade de vida, progresso, paz, autodeterminação dos povos e outros direitos difusos. Titularidade coletiva.Consagram o princípio da fraternidade.
Fonte: Anistia Internacional
Reportagem completa aqui

23 março 2007

Mestres no Ciberespaço

Blogs ampliam o espaço educacional de professores e alunos com possibilidade de partilhar informações de forma criativa e prazerosa.
Para ler esta matéria na íntegra acessar o portal da revista Educação.
http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=12073

23 fevereiro 2007

Conhecimento, aprendizagem e relações sociais no Ciberespaço

Em nenhum momento da nossa história, sociedade alguma conseguiu tanta liberdade de expressão, acesso ao conhecimento e avanços tecnológicos conquistados em tão pouco tempo.
Um dos ícones dessa nova cultura em ascensão é a Internet. Essa nova ambiência se transformou em muito mais do que simples troca de informações, amplificou para atividades de relações sociais e atualmente coexiste no cotidiano das pessoas de forma a não se conseguir definir o real como "fora ou dentro" de um computador, ou será que é obsoleto diferenciar?

Sendo limitante classificar isto ou aquilo de real, principalmente em se tratando de relações humanas, adotei como princípios para analisar o desenvolvimento, conhecimento e aprendizagem na Cibercultura a partir das teorias de Jean Piaget e Lev Vygotsky. Não sei se as minhas análises são pertinentes, mas foi uma idéia que me ocorreu, e por que não explorá-la
Assim, este texto tem como objeto de estudo relacionar o processo cognitivo do Ser e sua relação com o Ciberespaço.
Como este novo ambiente de relações humanas interfere ou contribui para o desenvolvimento humano?
Esta nova forma de se relacionar no mundo pode ser explicada através das teorias existentes ou é necessário se criar novos parâmetros para analisar tais processos?
Essas e outras perguntas me intrigam. Imagino que deva ter cometido muitos equívocos em minhas interpretações, mas acredito que os erros fazem parte do aprendizado, e não encerro neste, as possibilidades que este tema pode desenvolver.

Na intégra, o texto pode ser acessado em
http://gestarhconsultoria.googlepages.com/artigos